O SER DE QUEM QUER SER EDUCADOR

Por Rosane Santos de Moraes
Gestora Pública da E.E.E.F. Evarista Flores da Cunha

    Lembro com encantamento do momento que resolvi ouvir "Paulo Freire", "se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda". Isso aconteceu em meados de 1984. O Brasil iniciava a abertura política com o movimento das Diretas Já. Os dias da ditadura militar estavam contados.
    Nesse panorama, concluí o curso de Educação Física e a ideia de trabalhar com equipes desportivas, deu lugar a prática pedagógica. Dez anos depois veio a docência em escola pública. Nossa quanta riqueza acumulei nesse período. O mais interessante é que continuo a ouvir "Paulo Freire", depois de 29 anos na área da educação.
    Quem somos nós? Seres inquietos, quando todos se calam. Seres posicionados quando a comodidade pede para desistir. O ser do educador é o ser de inquietudes, de verdades baseadas na história das coisas, da própria ironia da história que muitas vezes tenta calar nossa voz.
Hoje, o educador desafia a si mesmo, numa sociedade onde o mais importante é ter do que ser. Onde o livro foi substituído pelas redes sociais, e o conhecimento parece desnecessário. E essa ideia cresce, a medida que nossos governantes ignoram nossas vozes, ao afirmar que escola não é lugar de inquietudes, de diversidades, de diálogo, de saberes com autonomia. "Eles" continuam a afirmar, que se a educação não vai bem é por que o professor não quer trabalhar. Ignoram o fato de que não conseguimos nos sentir motivados, quando somos atacados por não ter salário digno e em dia, por não termos oportunidades de melhorar nossa docência com estudos qualificados.
    A imagem negativa da escola pública que hoje se estabelece, está fortalecida na ideia de negar as possibilidades de melhoria, pois quando aluno e professor se qualificam, a democracia se fortalece. Isso é fator determinante para a qualidade do ensino público no nosso país, fortalecer a democracia, a permanência de nossos alunos na escola com qualidade.
    Então acredite nisso. Conhecimento é mais do parece ser, integra nosso ser e nos faz fortes, ativos e inteligentes. Ensino público de qualidade é direito e essa luta não é só do professor, é da sociedade como um todo, pois esse espaço de convivência social faz com saibamos respeitar diferenças e saberes.
    Essa é a nossa luta para manter a escola pública um espaço cidadão, onde tudo e todos precisam ter voz e vez.
    Por isso reafirmo, sempre vou ouvir "Paulo Freire".